Mandaçaia Decepada

man

É muito estranho pensar em um ser vivo com a cabeça cortada. No entanto, quem cria abelhas –no meu caso Mandaçaia, é muito comum encontrar abelhas decepadas perto das colmeias. Essa curiosidade me levou a levantar o assunto na comunidade Abelhas Nativas no Facebook. Alguns participantes fizeram considerações interessantes sobre esse hábito.

Gesimar, logo de cara avisou que decepar cabeça é o ato final de qualquer luta entre abelhas e levantou três possibilidades:

1) Eliminação de princesas da colmeia
2) Luta de castas na própria colmeia
3) Entrada de abelhas vizinhas na colmeia errada

Aqui cabe um comentário complementar, em cada disco de cria nascente de Mandaçaia em média nascem 80% de operárias, 15% de princesas e 5% de machos. Como a colmeia via de regra já possui rainhas, os 15% de princesas que nascem são uma reserva biológica subutilizada e tem destino fatal, engrossando o caldo das abelhas decepadas pelo meliponário não muito tempo após nascerem.

O português Cappas, deu uma explicação mais detalhada sobre o assunto. Ele explicou que para desativar o feromona mandibular real as rainhas virgens são por norma decapitadas.

De acordo com Marcelo Silva, a foto mostra uma abelha nova que pode ser uma abelha que não quer trabalhar e é expulsa da colmeia, mas se insiste em retornar ela é implacavelmente morta. Fez ainda outras considerações interessantes:

quando o meliponário é coletivo as abelhas entram as vezes em casas erradas, mas saem ao perceber ou acabam virando da casa, todas abelhas abastecidas do que chegarem são bem vindas, salvo como eu disse for uma pilhadora que veio vazia pra roubar ao ser descoberta é morta, mas neste caso estaria com outras partes detonadas, sem partes da pernas, etc. pois teria lutado, mas esta da foto morreu sem lutar”.

Interessante como um hábito da vida em sociedade das Mandaçaias pode suscitar tantas possibilidades.

Ataualização. Na edição de novembro de 2017 da revista Fapesp foi publicado um artigo sobre a importância dos feromônios superficiais ou de contato para o comportamento social das abelhas. Aborda o reconhecimento dos membros da comunidade por meio desse recurso principalmente na guarda e diferenciação de castas, citando o exemplo da decapitação de princesas de Uruçu Nordestina no sétimo dia de vida devido ao surgimento de uma comunicação química diferenciada que poderia atrair machos e ameaçar o reinado da rainha na colmeia. – Esse comportamento de decapitação é muito comum, observo constantemente isso na Mandaçaia, como constatado no texto acima. Link para a reportagem:

A linguagem química dos insetos