Malpighiaceae

A gente começa a criar abelha e passa a reparar em tudo quanto é tipo florada. Esse ano notei um tipo de flor que até então não tinha reparado. Ela cobre as bordas da mata trepando nas árvores com um bonito amarelo. Como sou totalmente ignorante em botânica, tirei algumas fotos e postei num grupo de identificação botânica no Facebook. Sabe quanto você tem a impressão de ter visto aquela flor de algum lugar, pois é, a pequena flor era da família da acerola: Malpighiaceae. Abaixo algumas fotos que fiz para ajudar na identificação.

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Acho fascinante esse processo de descoberta e identificação de plantas Nativas, mas como não possuo conhecimento nem instrumentos, foi auxiliado por Adriano Cicco Maruyama, pessoa que não conheço e sequer sou amigo do Facebook, mas é assim mesmo, esse é um dos pontos bons de se viver na sociedade do conhecimento mediada pela internet.

Após identificar a flor, minha curiosidade foi saber se minhas abelhas estão tirando benefício direto dessa florada, em pesquisa rápida no google, identifiquei esse artigo cientifico “Polinização da Aceroleira (Malpighia emarginata)” de Kátia Maria Medeiros de Siqueira (http://www.cpatsa.embrapa.br:8080/public_eletronica/downloads/SDC229.pdf). No referido trabalho tomei um pouco de conhecimento sobre essa espécie, visto que não achei nada sobre a trepadeira (Liana) que identifiquei. De acordo com a autora as espécies de abelhas que agiram como polinizadoras foram: Centris aenea, C. (Ptilotopus) maranhensis, C. tarsata, C. trigonoides e C. obsoleta. Quer dizer, nada de Meliponas e Trigonas, -as espécies que crio. Em outro trecho do texto “A FamÌlia Malpighiaceae destaca-se por apresentar muitas espécies que oferecem Óleos florais como recompensa aos visitantes, em lugar de néctar (VOGEL, 1974).” Ou seja, nada de néctar também.

No entanto, tenho pra mim que já observei ao menos trigonas na florada da acerola que tenho no quintal de casa, embora não me recorde com certeza. Outro aspecto que me motiva a continuar a pesquisa é que é uma florada muito exuberante (fevereiro/março) e que precede a florada de “Cipó-Uva”. Infelizmente as flores estão em árvores muito num trecho de mata muito denso perto de casa o que não permite a entrada para observação.

De acordo com Rafael Felipe de Almeida, no grupo identificação botânica essa espécie é a Stigmaphyllon lalandianum A.Juss. Inclusive ele está terminando um guia pra stigmaphyllon do Brasil.