Como começar a criar Abelhas Nativas Sem Ferrão (Meliponicultura).

O passo inicial para começar a criar abelhas nativas sem ferrão é entender que esses insetos dependem de uma relação holística com o ambiente. Não é igual ter um peixe, um cachorro ou uma tartaruga. Nesse sentido, dividimos esse assunto em 4 tópicos principais:
1) Principal diferença entre as abelhas e outros animais de estimação;
2) Preservação ambiental;
3) Local de criação;
4) Seleção das espécies.

1) Principal diferença entre as abelhas e outros animais de estimação.
As abelhas saem da caixa racional todo dia em busca de provimento e se recolhem a noite. Essa dinâmica imprime uma importância substancial ao espaço no entorno do local (meliponário) onde ocorre a criação das espécies. É preciso avaliar os arredores se existem recursos como: água, árvores, terra e flores para oferecer suprimentos todos os dias do ano.

2) Preservação ambiental
Toda pessoa que pretende criar racionalmente abelhas nativas se torna um ativista da preservação e conservação ambiental por princípio. Não adianta ter um bom jardim no quintal de casa e achar que vai resolver o problema de um enxame de abelhas, algumas espécies pequenas atingem um raio de 500m a partir do local do enxame. Um bom modo de avaliar isso numa dimensão macro é usando o Google Maps. Abaixo uma imagem do entorno do Meliponário Tapajós, em Vinhedo-SP.
casa_mapa_01

3) Local de criação
A determinação do local para criação das abelhas -chamado de meliponário, é o passo importante a se considerar. As espécies devem estar abrigadas da chuva, sol e ventos fortes. As caixas com abelhas podem ser organizadas em postes individuais ou coletivos. Também é preciso entender que o sol se movimenta durante as estações do ano, ou seja, um lugar que não pega sol no inverno pode pegar sol no verão e vice-versa. Uma vantagem de criar abelhas nativas sem ferrão é que elas são pouco defensivas e não oferecem risco por não possuirem ferrão (na verdade ele é atrofiado), nesse sentido é possível instalar os enxames próximos das pessoas e outros animais.

4) Seleção das espécies.
Como estamos situados no estado de São Paulo se torna mais fácil falar das especificidades do local onde criamos, se você não mora nesse estado é importante que procure se informar sobre as característica que vamos comentar a seguir de acordo com a sua realidade local.

Em São Paulo, temos o Guia Ilustrado de abelhas da USP ( http://www.ib.usp.br/beesp/ ) que organiza as principais espécies do estado por nome popular e científico. Sugerimos selecionar as espécies a partir da condição de adaptação a vida urbana ou não.

Espécies adaptadas a vida na cidade.
As espécies adaptadas a vida na cidade se acostumaram a nidificar em ocos de blocos em muros e outros lugares que não apenas ocos de árvores, portanto não existe a necessidade imediata de investimento em genética e em geral não existe a necessidade de suplementação alimentar –considerando que não se pretenda extrair insumos do enxame. Dentre as espécies adaptadas a vida urbana sugerimos as seguintes:
– Jataí;
– Mirins: Droryana, Preguiça, Guaçu e Saiqui.
– Iraí;
– Lambe Olhos;
– Mandaguarí;
– Manduri.

Espécies não adaptadas a vida na cidade.
Entre as espécies que dependem de recursos naturais preservados como árvores de grande porte, nascente de água, terra e diversidade de espécies florais encontramos espécies as espécies:
– Guaraipo;
– Mandaçaia;
– Uruçu-Amarela.

A partir dessas questões iniciais é preciso conhecer as espécies de abelhas ao vivo, saber detalhes sobre manejo, comportamento, mas isso só é possível visitando um meliponicultor experiente ou fazendo um curso prático sobre meliponicultura. É muito complicado iniciar a criação sem antes ter essa experiência empírica. Um passo seguinte é entender o manejo a partir de três vertentes principais: Hobby, Preservação ou exploração de insumos. Mas isso é assunto para outro post.

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