Como começar a criar Abelhas Nativas Sem Ferrão (Meliponicultura) em São Paulo.

Principal diferença entre as abelhas e outros animais de estimação.
O passo inicial para começar a criar abelhas nativas sem ferrão é entender que esses insetos dependem de uma relação holística com o ambiente. Não é igual ter um peixe, um cachorro ou uma tartaruga. As abelhas saem da caixa racional todo dia em busca de provimento e se recolhem a noite. Essa dinâmica imprime uma importância substancial ao espaço no entorno do local (meliponário) onde ocorre a criação das espécies. É preciso avaliar os arredores se existem recursos como: água, árvores, terra e flores para oferecer suprimentos todos os dias do ano.

Preservação ambiental
Toda pessoa que pretende criar racionalmente abelhas nativas se torna um ativista da preservação e conservação ambiental por principio. Não adianta ter um bom jardim no quintal de casa e achar que vai resolver o problema de um enxame de abelhas, algumas espécies pequenas atingem um raio de 500m a partir do local do enxame. Um bom modo de avaliar isso numa dimensão macro é usando o Google Maps. Abaixo uma imagem do entorno do Meliponário Tapajós, em Vinhedo-SP.
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Local de criação
A determinação do local para criação das abelhas -chamado de meliponário, é o passo importante a se considerar. As espécies devem estar abrigadas da chuva, sol e ventos fortes. As caixas com abelhas podem ser organizadas em postes individuais ou coletivos. Também é preciso entender que o sol se movimenta durante as estações do ano, ou seja, um lugar que não pega sol no inverno pode pegar sol no verão e vice-versa. Uma vantagem de criar abelhas nativas sem ferrão é que elas são pouco defensivas e não oferecem risco por não possuirem ferrão (na verdade ele é atrofiado), nesse sentido é possível instalar os enxames próximos das pessoas e outros animais.

Seleção das espécies.
Como estamos situados no estado de São Paulo se torna mais fácil falar das especificidades do local onde criamos, se você não mora nesse estado é importante que procure se informar sobre as característica que vamos comentar a seguir de acordo com a sua realidade local.

Em São Paulo temos o Guia Ilustrado de abelhas da USP ( http://www.ib.usp.br/beesp/ ) que organiza as principais espécies do estado por nome popular e científico. Sugerimos selecionar as espécies a partir da condição de adaptação a vida urbana ou não. As espécies adaptadas a vida na cidade se acostumaram a nidificar em ocos de blocos em muros e outros lugares que não apenas ocos de árvores, portanto não existe a necessidade imediata de investimento em genética e em geral não existe a necessidade de suplementação alimentar, considerando que não se pretenda extrair insumos do enxame. Dentre as espécies adaptadas a vida urbana sugerimos as seguintes:
– Jataí;
– Mirins: Droryana, Preguiça, Guaçu e Saiqui.
– Iraí;
– Lambe Olhos;
– Mandaguarí;
– Manduri.
Entre as espécies que dependem de recursos naturais estabilizados como árvores de grande porte, nascente de água, terra e diversidade de espécies florais encontramos espécies como: Guaraipo, Mandaçaia, Uruçu-Amarela, entre outras.

A partir dessas questões iniciais é preciso conhecer as espécies de abelhas ao vivo, saber detalhes sobre manejo, comportamento, mas isso só é possível visitando um meliponicultor experiente ou fazendo um curso prático sobre meliponicultura. É muito complicado iniciar a criação sem antes ter essa experiência empírica. Um passo seguinte é entender o manejo a partir de três vertentes principais: Hobby, Preservação ou exploração de insumos. Mas isso é assunto para outro post.

Pesquisa sobre artropodofauna no Meliponário

Hoje pela manhã recebemos a primeira visita do pesquisador Bruno Polizello. Ele está cursando pós-graduação na UNESP de Rio Claro, no Instituto de Biociências. O Meliponário Tapajós será objeto de estudo para sua Monografia de conclusão de curso.

O tema da sua monografia é esse: Levantamento da artropodofauna associada às colônias de diferentes espécies de abelhas sem ferrão no Meliponário Tapajós em Vinhedo-SP.

Basicamente o objetivo da pesquisa é discutir as possíveis relações ecológicas, harmônicas e/ou desarmônicas, existentes entre a fauna de artrópodes encontrada nas caixas de abelhas sem ferrão ou no seu entorno na área do Meliponário.

É uma grande satisfação colaborar para a evolução do conhecimento científico da meliponicultura a partir do manejo racional que cultivamos aqui no Meliponário. Assim que a pesquisa ganhar corpo divulgamos mais novidades por aqui.