Por que as abelhas nativas sem ferrão estão desaparecendo?

Tratado como “Síndrome do colapso das colônias”, esse fenômeno têm alarmado pessoas devido ao significativo serviço ambiental que esses seres prestam ao meio ambiente. Com o propósito de polinizar plantas para retirar suprimentos, as abelhas impactam diretamente a produção de alimentos e a manutenção de ecossistemas naturais.

abelhas desaparecendo
Acima uma abelha da espécie Jataí polinizando a flor da planta Assa-Peixe.

Desmatamento e agrotóxico.

Podemos destacar dois fatores responsáveis por desencadear esse processo: o desmatamento e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Ambos estão ligados diretamente ao agronegócio com a expansão de monocultura em larga escala.

Rachel Carson, em seu livro seminal “Primavera Silenciosa”, de 1962, já denunciava o uso de substâncias tóxicas lançadas no meio ambiente nos Estados Unidos. Um trabalho pioneiro que levou ao crescimento de um movimento ambientalista com a finalidade de debater o direito de todos os seres vivos.

No entanto, as coisas não melhoraram ao longo dos últimos 58 anos, desde a publicação do livro, além disso, quando pensamos no Brasil é preciso destacar que o país é líder mundial de consumo de agrotóxico, fato que impacta diretamente o ambiente de vivência das abelhas nativas sem ferrão e explica porque elas estão desaparecendo.

Abelhas Nativas versus Abelhas exôticas.

É inegável que todas as espécies de abelhas estejam desaparecendo, todavia, quando comparamos as abelhas nativas com a espécie exótica Apis Mellifera, conhecida como europeia ou africanizada, as nacionais encontram-se em desvantagem por não ter ferrão para se defender de predadores diversos e pelo fato da rainha não voar.

Em uma colônia de abelhas sociais a rainha, entre outras funções, é responsável por manter a coesão da colônia. Em síntese, isso quer dizer que se uma colmeia de abelhas sem ferrão está nidificada em um ambiente natural que vai ser desmatado ou atingido com uso de agrotóxico que ameace a integridade do grupo, como a rainha não voa, a colmeia não vai ter a capacidade de se deslocar e possivelmente vai padecer no local.

Como combater o desaparecimento das abelhas!

Com a falta de ambiente natural e o avanço da monocultura, uma forma de retardar o processo de extinção das abelhas nativas é o manejo sustentável e racional de algumas espécie. Se você tem interesse de começar a criar abelhas nativas sem ferrão para preserva-las, conheça nosso projeto sobre o assunto.

Nós no Meliponário Tapajós criamos 10 espécies de abelhas e temos conseguindo desde 2012 criar com sucesso espécies adaptadas a vida urbana como Jataí e espécies que exigem maior cuidado e investimento genético por não serem adaptadas a vida urbana como a Mandaçaia.

Como começar a criar Abelhas Nativas Sem Ferrão.

O passo inicial para começar a criar abelhas nativas sem ferrão é entender que esses insetos dependem de uma relação holística com o ambiente. Não é igual ter um peixe, um cachorro ou uma tartaruga. Nesse sentido, dividimos esse assunto em 4 tópicos principais:
1) Principal diferença entre as abelhas e outros animais de estimação;
2) Preservação ambiental;
3) Local de criação;
4) Seleção das espécies.

1) Principal diferença entre as abelhas e outros animais de estimação.

As abelhas saem da caixa racional todo dia em busca de provimento e se recolhem a noite. Essa dinâmica imprime uma importância substancial ao espaço no entorno do local (meliponário) onde ocorre a criação das espécies. É preciso avaliar os arredores se existem recursos como: água, árvores, terra e flores para oferecer suprimentos todos os dias do ano.

abelhas sem ferrão

2) Preservação ambiental

Toda pessoa que pretende criar racionalmente abelhas nativas sem ferrão se torna um ativista da preservação e conservação ambiental por princípio. Entretanto, não adianta ter um bom jardim no quintal de casa e achar que vai resolver o problema de uma colmeia de abelhas, algumas espécies pequenas atingem um raio de 500m a partir do local do enxame. Um bom modo de avaliar isso numa dimensão macro é usando o Google Maps. É preciso avaliar a imagem para ter uma noção da quantidade de pasto disponível para as abelhas, o que se traduz em manchas verdes. Os detalhes devem ser constatados em campo com observação direta pois uma mancha pode significar uma monocultura, como por exemplo eucalipto, o que pode restringir a quantidade de alimento por apenas alguns períodos no ano.

Logo, quanto mais preservado ambientalmente for o entorno do Meliponário mais alimento natural, consequentemente, mais fácil será criar abelhas. Dessa forma, ao contribuir com a preservação das áreas verdes você melhora diretamente a condição de vida das abelhas. Abaixo uma imagem do entorno do Meliponário Tapajós, em Vinhedo-SP.

3) Local de criação

A determinação do local para criar as abelhas sem ferrão é chamado de meliponário, esse é um passo importante a se considerar. As espécies devem estar abrigadas da chuva, sol e ventos fortes. As caixas com abelhas podem ser organizadas em postes individuais ou coletivos. Também é preciso entender que o sol se movimenta durante as estações do ano, ou seja, um lugar que não pega sol no inverno pode pegar sol no verão e vice-versa. Uma vantagem de criar abelhas nativas sem ferrão é que elas são pouco defensivas e não oferecem risco por não possuirem ferrão (na verdade ele é atrofiado), nesse sentido é possível instalar os enxames próximos das pessoas e outros animais.

4) Seleção das espécies.

Como estamos situados no estado de São Paulo se torna mais fácil falar das especificidades do local onde criamos, todavia, se você não mora nesse estado é importante que procure se informar sobre as característica que vamos comentar a seguir de acordo com a sua realidade local. Sugerimos selecionar as espécies a partir da condição de adaptação a vida urbana ou não.

Espécies adaptadas a vida na cidade.

As espécies adaptadas a vida na cidade se acostumaram a nidificar em ocos de blocos em muros e outros lugares que não apenas ocos de árvores, portanto não existe a necessidade imediata de investimento em genética e em geral não existe a necessidade de suplementação alimentar –considerando que não se pretenda extrair insumos do enxame. Dentre as espécies adaptadas a vida urbana sugerimos as seguintes:
– Jataí;
– Mirins: Droryana, Preguiça, Guaçu e Saiqui.
– Iraí;
– Lambe Olhos;
– Mandaguarí;
– Manduri.

Espécies não adaptadas a vida na cidade.

Entre as espécies que dependem de recursos naturais preservados como árvores de grande porte, nascente de água, terra e diversidade de espécies florais encontramos espécies as espécies:
– Guaraipo;
– Mandaçaia;
– Uruçu-Amarela.

Acima de tudo é preciso conhecer as espécies de abelhas ao vivo, saber detalhes sobre manejo, comportamento, mas isso só é possível visitando um meliponicultor experiente ou fazendo um curso prático sobre meliponicultura. É muito complicado iniciar a criação sem antes ter essa experiência empírica. Um passo seguinte é entender o manejo a partir de três vertentes principais: Hobby, Preservação ou exploração de insumos. Mas isso é assunto para outro post.

Conheço nosso curso sobre o assunto para iniciantes:
http://www.meliponariotapajos.com/descubra

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